Notícias

Anticoagulante e os cuidados com a alimentação

anticoagulante

Para muitos de meus pacientes que fazem terapia anticoagulante com medicamentos como a varfarina (Marevan®), esta é uma dúvida extramente comum. Alguns médicos proíbem totalmente a ingestão de legumes e até mesmo de algumas frutas, enquanto outros proíbem apenas os de cor verde escura. Com essa incerteza, a sensação de medo e culpa após a alimentação é constante, por isso, continue lendo meu artigo e entenda como contornar esta situação.

 

Anticoagulantes

Para passar por alguns tratamentos, inclusive cirúrgicos, nosso sangue não deve coagular tão bem para garantir a nossa segurança e amenizar riscos de intercorrências durante o procedimento. E para isso precisam bloquear parcialmente o efeito da vitamina K que tem essa função, medicações como a varfarina ou o sintrom são usados há mais de 60 anos com esse intuito. Existindo uma curta separação entre a dose insuficiente e a dose excessiva (que pode ter diferentes efeitos secundários e alguns deles graves), é preciso fazer controle sanguíneo com bastante regularidade para que a dosagem possa ser regulada.

Essa não é uma tarefa fácil e depende de muitos fatores, pois uma mesma dose tem efeitos diferentes em pessoas diferentes.

 

Anticoagulantes e alimentação

A ingestão de vitamina K altera a ação dos anticoagulantes orais que tentam bloquear a ação desta vitamina. Quanto mais vitamina K ingerir, mais quantidade de medicação você vai precisar.

A lista de alimentos que possuem vitamina K é enorme, e a forma mais fácil parece mesmo ser evita-los, mas a não ingestão de hortícolas e frutas vai impedir que os indivíduos sob medicação anticoagulante se beneficiem das vantagens associadas à ingestão destes.

 

Vitamina K e coagulação

A vitamina K é lipossolúvel (que é solúvel em gorduras e óleos) e existe em diferentes alimentos, que pode ser produzida a nível intestinal. Existem 3 tipos de vitamina K: a vitamina K1 (de origem alimentar), a vitamina K2 (produzida pelas bactérias intestinais) e a vitamina K3 (de origem sintética).

Esta vitamina, em nível de coagulação, é responsável pela formação de diferentes moléculas que permitem a coagulação sanguínea (um mecanismo essencial para controlar as hemorragias). Sem esta vitamina, não conseguiríamos parar de sangrar e o mais pequeno corte pode ter consequências graves.

 

Fontes alimentares de vitamina K

As maiores fontes são os vegetais de folha verde escura: dente-de-leão, brócolis, couve de Bruxelas, couve, mostarda, acelga, aspargo, cebolinha, repolho, nabo, pepino, couve-flor, espinafre, entre outros.

 

O que fazer?

A variação na ingestão de alimentos ricos em vitamina K altera a coagulação e altera a dose de medicação necessária, logo, se a sua ingestão de vitamina K se mantiver constante, não vai interferir tanto na dose de medicação que necessita.

Desta forma, se você retirou totalmente estes alimentos vegetais, introduza-os gradualmente na sua alimentação, evitando de imediato as hortaliças de cor verde escura. Ao mesmo tempo, fazendo o controle sanguíneo e o acompanhamento médico.

É preciso entender que o principal objetivo é conseguir manter estável a sua ingestão de vitamina K e uma ingestão adequada dos outros nutrientes contidos nos alimentos vegetais, ou seja, conseguir comer a dose certa de hortaliças e frutas. Quando conseguir atingir a sua dose “ideal” de vitamina K e de medicação é preciso manter o equilíbrio de ambos!

Deixe um Comentário